Entrevista. Luciano diz que trabalha pela volta das subvenções, e cita sua disposição de disputar o governo.

O deputado se considera o prefeito que mais realizou em Itabaiana e se afirma honesto.

O presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe – ALESE deputado estadual Luciano Bispo de Lima (PMDB) concedeu entrevista ao portal napolitica.com na qual falou sobre subvenções, segurança, sucessão municipal em Itabaiana, independência do poder legislativo e a sucessão governamental em 2018.

Luciano voltou a defender e reafirmar sua disposição em manter as subvenções sociais na casa, negando que haja qualquer decisão pela extinção do beneficio.

Ele também falou sobre a sucessão em Itabaiana, mas não revelou nomes para concorrer com o atual prefeito Valmir dos Santos Costa (PR) em outubro de 2016 e manifestou seu desejo de ser candidato a governador em 2018.

O ex-prefeito de Itabaiana se considera o politico que mais realizou pelo município, admite que cometeu erros, mas se afirma honesto e revela preocupação com as obras prometidas ainda pelo governador Marcelo Deda (In Memoriam), mas que ainda não saíram do papel.

“Se Deus me der essa chance vou estar com os dois braços. Tenho disposição sim!”

“Se Deus me der essa chance vou estar com os dois braços. Tenho disposição sim!”

A seguir a matéria com a entrevista realizada pela jornalista Raissa Cruz.  

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Luciano Bispo, em entrevista ao Na Política, comentou da sua disposição de estender o governo do PMDB no Estado com seu nome à disputa de 2018. Embora destaque que seu foco no momento é seu mandato e a eleição de um aliado seu a prefeito de sua terra Itabaiana, Luciano adiantou: “tenho disposição sim!” Questionado sobre as investigações quanto aos destinos das verbas de subvenção da Assembleia o deputado foi incisivo na defesa pela volta da liberação dos recursos, e disse: “a Casa e os deputados estão preparados para se defenderem com tranquilidade”. Luciano falou ainda da relação entre o Legislativo e o Executivo na defesa pela autonomia, e citou, inclusive, debates como a questão dos servidores das empresas privadas do Estado que temem demissão, e os problemas da segurança pública.

O ex-presidente deputado Zé Franco, disse que havia recebido a Assembleia Legislativa em ordens das mãos da ex-presidente nomeada conselheira Angélica Guimarães. O senhor confirma isso?

Não quero entrar nesse mérito de organizada ou desorganizada. Até porque se a gente ficar olhando para trás não vamos a lugar nenhum. Mas tenho que me preocupado em organizar a Casa com o meu perfil, com toda tranquilidade. Com boa vontade, conversando muito com os colegas deputados sobre as questões da Casa.

Foi complicado para o senhor assumir a Assembleia em um período em que o tema verba de subvenção tem gerado certo desgaste a Casa?

Esse é o momento de só se falar nisso. Mas a subvenção foi e será uma coisa boa para os sergipanos. O que é preciso? Ver se houve alguns equívocos e consertar. Ver as associações que fizeram as coisas como devem ser feitas, prestar as suas contas e procurar um meio, como está todo mundo falando dessa questão da emenda impositiva. Talvez seja a solução mais viável para isso, mas quanto a isso nós temos alguns meses ainda para falar a respeito. Temos que conversar mais com o Tribunal de Justiça. Com o MPE e a própria PGE para fazer um acordo. Defendo a teoria de que não pode prejudicar as entidades que vivem de subvenção.

Então o senhor reafirma que a Assembleia não pensou em discutir a possibilidade de acabar com as subvenções?

Pois é, isso não aconteceu. Especularam isso, mas ninguém até hoje, nem a própria justiça mandou acabar com as subvenções. Mandou suspender para que se faça um estudo do que estava se passando com os recursos das subvenções. Ninguém quer acabar com a subvenção, nem um deputado, nem a própria justiça quer.

O MPF já anunciou as audiências que irão acontecer com as testemunhas de acusação, no caso os deputados. Como a Assembleia tem recebido esse andamento da investigação?

Esse procedimento ninguém pode evitar, até porque o MPF deverá se manifestar na parte mais eleitoral que vai do dia 5 de julho até o dia 5 de outubro. Existe uma coisa que as pessoas precisam entender: a diferença entre ano eleitoral e período eleitoral. Coisas que podem fazer no ano eleitoral não foram feitas no período eleitoral. Uma hipótese, o Estado tem convênio com as emissoras de rádio e imprensa, mas no período eleitoral não pode ocorrer. Se disseram que a Assembleia tinha pago subvenções no período eleitoral, nós não temos até hoje conhecimento disso. Houve pagamentos no ano eleitoral, e não no período eleitoral! A Casa e os deputados estão preparados para se defenderem com tranquilidade. Quando formos convocados nós iremos apresentar tranquilamente, e vamos lutar para retomar as subvenções. Sou intransigente nisso. Acho que tem que continuar nos próximos quatros anos a pagar as subvenções para as entidades que agiram corretamente serem beneficiadas.

Presidente, no dia da sua posse o senhor falou muito em a Casa ser independente apesar de o senhor ser aliado do governador Jackson Barreto e de ele ter maioria na Casa. Foi algum tipo de alerta para lembrar o governador da autonomia do Legislativo?

É porque muita gente acha que por conta do meu relacionamento com o governador Jackson, como cidadão e político, eu deveria deixar a Casa ser subserviente ao Poder Executivo. E não é assim. É preciso saber que o Poder Legislativo tem a sua independência e vai ter, mas somos aliados ao governador. E vemos o respeito dele. Por exemplo, uma equipe do governo nos falou de um projeto da educação para quando o projeto chegar aqui, nós já termos um conhecimento mais abrangente sobre ele. Já fomos lá ver de perto junto com o líder Gualberto. E tem a questão do veto também, que estamos discutindo e está preocupando muito os servidores da CEOP, COHIDRO, e outras.

E qual a posição do presidente em relação a isso (o veto à questão que envolve o emprego de servidores das empresas privadas do governo)?

Confio no governador junto com os deputados. Com o veto ou sem veto não ficará ninguém desempregado, é o que nos garantiu. Muito mais do que o veto é a palavra do governador, e a palavra dos 24 deputados. O governador Jackson disse com muita tranquilidade que não tem interesse em desempregar ninguém. O que ele tem interesse e vai fazer é redimensionar o Estado de Sergipe como um todo. E quando você redimensiona você tem reações, mas o foco maior é ninguém perde o emprego. Não é justo você está aqui há 20 anos e de repente você perder seu emprego. Ninguém quer desempregar ninguém.

Qual a previsão para a Assembleia encerrar esse debate?

O veto precisa ser lido até o dia 21 de março. Depois se não ler, terá que trancar a pauta, mas nós vamos conversar com o governador para resolver isso o mais rápido possível e dar tranquilidade aqueles que estão intranquilos, porque não querem acreditar na palavra do governador e dessa Casa. Nós não vamos desempregar ninguém!

O senhor falou da disposição do governo para tratar com a Casa a questão da educação e sobre a segurança pública? E o que esperar da audiência pública com o secretário de Segurança Pública nesta segunda-feira?

Esse talvez seja o calo do governo que é melhorar a segurança pública. Nós temos um secretário que está chegando e temos que combater não só a criminalidade tem muitas coisas que passam pelo social. Acho que temos que ver a questão das famílias, dos costumes. Vi Gualberto falar de um exemplo interessante: um garoto de 16 anos se autoelogiando porque recebeu um troco a mais e não quis devolver. Uma pessoa que age assim para fazer uma coisa maior é num instante. Em relação à questão da segurança, vamos fazer em breve aqui uma coisa bem maior. Não é só ouvir o secretário, e sim chamar a sociedade para discutir a segurança pública. Não é só prender, é prender e segurar. Vamos conversar para em abril fazermos um seminário sobre segurança, pois é um assunto que está chateando muito a população.

Como anda o processo de implantação de um canal aberto da Assembleia em Sergipe?

Se nós conseguirmos transmitir o sinal aberto, não é só para transmitir as sessões no plenário não, vamos transmitir as sessões das comissões que é onde estão os embates acontecem para que a população possa ver. Nós vamos terça-feira para Brasília, e um representante da bancada de situação e um de oposição e as pessoas ligadas a essa área da comunicação na Assembleia estarão nessa reunião. Estamos indo conversar com Renan Calheiros para ver o que ele pode nos oferecer e adiantar esse processo.

O governador do Estado disse em um das propagandas do governo no inicio do ano que agora “é o governo do PMDB trabalhando pra você”. Qual a visão do partido agora que está com o Governo do Estado e a Presidência da Assembleia?

O PMDB sempre sonhou com isso. Jackson Barreto sempre sonhou de um dia chegar ao governo pelo PMDB. E Jackson tem um perfil que eu gosto que é cuidar do povo. Tenho convicção que teremos um governo muito bom. Os recursos que estão aportados para Sergipe, se forem bem aplicados e serão, Jackson será um grande governador. Ele tem esse perfil de trabalhar para o governo e para o povo. Quando ele disse que não vai ser amis candidato, ele não vai ser. Ele não quer mais ser candidato para ter a liberdade de dar ao povo sergipano um Sergipe bem melhor para que ele possa fazer o que está fazendo, mexendo nessa educação, na saúde.

Em sua opinião, quando o governador dar destaque a presença do PMDB agora no poder é para dar sinal de mudança, do que antes era governo do PT?

É uma questão de estilo. Tenho uma forma de governar essa Casa, Zé Franco tinha outra, Angélica tinha outra. É uma questão de estilo. Mas acho o estilo de Jackson muito preocupado com o ser humano. Estou vendo Jackson mexendo na saúde e na pessoa de Zezinho Sobral, que será um grande secretário de saúde que é a preocupação com a oncologia. Um investimento muito maior na oncologia, que tem preocupado o nosso povo. O governo no PMDB não pensa só em obras, e sim no povo também.

É verdade que o próprio Luciano Bispo estaria disposto a ser o candidato do PMDB ao governo em 2018, quando o governador Jackson Barreto estará se aposentando, diz ele? 

Se Deus me der essa chance vou estar com os dois braços. Tenho disposição sim! Claro que o meu foco é a minha reeleição e eleição de um aliado nosso na prefeitura de Itabaiana. O que vier a mais é sobra e uma honra. Eu já estou a Deus por estar sentado nessa cadeira (na Presidência da Assembleia).

O nome que Luciano apoiará para Itabaiana já está definido?

Não, mas temos uns nomes bons para se disputar as eleições de Itabaiana. É claro que a gente o mais rápido possível comece a pensar nisso. Ver o que pode ser feito para que Itabaiana melhore para que aconteça o Ceasa de Itabaiana, o ginásio de esportes e asfaltar alguns povoados do nosso município. Trabalhar sobre a questão de poços artesanais e melhorar o hospital de Itabaiana, que é muito prejudicado pela pouca atuação do nosso município. Então esse é o foco maior.

O que o senhor diz a respeito das criticas que ainda levantam sobre sua gestão em Itabaiana, com citação de dívidas…

Dívidas todo Estado, Município e União possuem. Cheguei em Itabaiana em 89 para ser prefeito. Veja qual o município mais estruturado temos? Itabaiana. Temos praças, creches estradas… Talvez o desgaste de vários mandatos faça com que a gente perca uma eleição. Essa avaliação é boa, e o povo é sábio. Eu tenho consciência de tudo que fiz por Itabaiana. Itabaiana tem 125 anos de vida de emancipação política e 100 mil habitantes, e durante toda vida de Itabaiana, o filho que mais fez por ela se chama Luciano Bispo de Lima, quer a oposição queira ou não queira. Ninguém fez um décimo do que fiz por Itabaiana.  Isso eu me orgulho. Itabaiana com o progresso de qualidade que era nosso slogan foi quem mais atuou entre os Municípios de Sergipe. Cometi alguns erros, cometi agora ninguém fez o que fiz. E fui prefeito honesto. Vim da família mais rica de Itabaiana, fui prefeito quatro vezes, deputado duas, e moro em uma casa de herança. 

Por Raissa Cruz, portal NAPOLITICA.

 

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