Entrevista. Zé de Toinho revela sonhos e fala de frustrações e fala sobre sucessão.

Vereador conta como começou na politica local e fala sobre a perda do seu pai.  

O periódico Carta Serrana trás na sua 46ª edição em circulação uma entrevista com o vereador Jose Teles de Mendonça (PR) presidente da Câmara Municipal de Itabaiana – CMI Sergipe.

Na entrevista o chefe do poder legislativo de Itabaiana fala sobre o começo na vida pública, sonhos, projetos e dificuldades da militância politica.  

O vereador fala ainda sobre candidatura a deputado, prefeito e do desafio de ser presidente da CMI. Lei a seguir integra da entrevista.

Presidente  da CMI  Jose  Teles de Mendonça

Presidente da CMI Jose Teles de Mendonça

José Teles de Mendonça tem 55 anos e está em seu nono mandato consecutivo como vereador na Câmara Municipal de Itabaiana. Seu primeiro processo eleitoral se deu ainda aos 18 anos, quando foi eleito como o segundo vereador mais votado de seu município. Assumiu o cargo legislativo no ano seguinte, aos 19 anos, e de lá para cá, não se afastou mais da Casa de Leis. Nascido no povoado Várzea do Gama em Itabaiana, é filho dos ex-agricultores Antônio Teles de Mendonça (em memória) e Tereza Santiago de Mendonça. Além do exercício parlamentar, de 1980 a 1995 trabalhou na Secretaria de Estado da Fazenda, mais precisamente na Exatoria Fiscal. Em 2000, adquiriu a empresa Kiola, localizada no centro itabaianense, a qual segue administrando nos momentos que não está executando suas atribuições como vereador. José Teles tem o Ensino Médio Completo e é casado com Maria do Carmo Machado Mendonça, com quem teve um filho, o advogado Márcio Machado Mendonça. O ano de 2016 o marcou em diversos aspectos, o início da campanha eleitoral rumo ao nono mandato teve início com o falecimento de seu pai. Apesar da dor e do sofrimento, José Teles conseguiu terminar o pleito eleito para a legislatura seguinte. Em 2017 veio mais uma eleição, ele foi escolhido por seus pares para ser o novo presidente da Câmara Municipal de Vereadores. Em uma conversa descontraída em seu gabinete, José Teles nos recebeu e abriu o jogo sobre uma infinidade de questões, inclusive revelou se pretende ou não disputar as eleições de 2018 e 2020. Acompanhe:

CS: O que te motivou a entrar na política?

José Teles de Mendonça: Eu faço parte de uma família que é política. Todos conheciam o saudoso Chico de Miguel, que era meu tio. Meu pai vivia muito na companhia dele, nessa parte política. E aí, surgiu de meu tio, para meu pai, um convite para que eu fosse candidato a vereador, em 1982. Meu pai trouxe o convite e eu o aceitei e por isso ingressei na política.

CS: Seu pai havia pensado em ser candidato em alguma oportunidade?

José Teles de Mendonça: Não, ele era mais de ajudar. Tinha uma aproximação ao irmão Chico de Miguel e vivia no meio, militando ali. Ele não tinha um grau de escolaridade, mas andava mais pelo mundo do comércio, naquela época não existiam essas empresas e ele era um comerciante ambulante. Ia paras as feiras e comprava cereais, ia para outros estados, a exemplo de Espírito Santo, a exemplo da Bahia, comprava também em São Paulo, farinha, feijão, milho. Tudo isso ele trazia de lá para cá, pagava o imposto na fonte e depois trazia as mercadorias e vendia no estado. Ele chegou a ter alguns pontos comerciais dentro do mercado de Aracaju e tinha um ponto de apoio aqui em Itabaiana que era o depósito dele.

CS: O senhor tem 34 anos de vida pública, ao longo desse período, qual a maior dificuldade que encontrou na política?

José Teles de Mendonça: A maior dificuldade que eu tive foi em lidar com a própria classe política. Apesar de vivermos esse tempo todo juntos, o mais difícil que achei foi esse lidar com a classe política. São momentos de muitas discussões, de muitas divergências e a gente sente essa dificuldade, essa falta de um companheirismo maior, uma somação maior. A gente sente falta do surgimento das oportunidades, o que não se tem.

CS: O senhor nunca sentiu desejo de disputar a eleição para outro cargo que não fosse o de vereador?

José Teles de Mendonça: Já sim. Há algum tempo atrás pensava em ser prefeito de Itabaiana, esse era um dos meus maiores, o primeiro, número um. Depois esse desejo foi esfriando, talvez por ver que a oportunidade estaria muito distante se isso viesse a acontecer. A partir daí, comecei a pensar na possibilidade de um dia ser candidato a deputado estadual. Essa eu toquei adiante, apesar de ser um desejo, ainda dei uns passos para ver se conseguia. Fundei um partido para mim aqui em Itabaiana, sob a liderança estadual dos Valadares. Mas no processo de convenção, eu ainda era jovem, isso foi há muitos anos atrás, dei um vacilo e acabei sendo substituído por outros nomes. Depois disso, refleti e recebi o convite para voltar ao partido que pertencia os membros de minha família, foi o que fiz. Eu acabei não saindo de lá, por que quando eu não consegui registrar minha candidatura, votei nos candidatos de meu tio. Para resumir, nunca, até o dia de hoje, deixei de votar nos candidatos deles. Até hoje ainda não acabou a pretensão de ser candidato a deputado estadual. Não quero dizer que serei candidato agora em 2018, não sou pré-candidato, mas se surgir um convite de meu bloco, eu aceito na hora sem pensar duas vezes, o mais difícil é esse convite acontecer.

CS: E a candidatura a prefeito, é uma possibilidade?

José Teles de Mendonça: A de prefeito, como disse antes, foi o meu primeiro sonho que tive há mais de 20 anos atrás. Devido às situações que disse das dificuldades das pessoas do bloco, dos meus líderes entenderem que seria minha vez, meu momento, me dar uma esperança, eu vi que ia tardar muito e fui tirando essa ideia da cabeça. Se bem, que hoje eu estou na política e se surgir essa oportunidade, eu posso ir, não tem problema nenhum, não vou fugir da responsabilidade. Mas o desejo mesmo, não tenho como tenho de ser deputado estadual.

CS: Seria uma frustração encerrar a carreira política sem conseguir ser deputado estadual?

José Teles de Mendonça: Não, não… Eu sou daquele que acredito que é necessário plantar uma semente. Tem coisa que, na verdade, eu agilidade e esperteza de plantar essa semente. Se eu tivesse me aproximado mais de meu tio, já que ele me convidou a entrar na política, eu poderia estar em uma situação privilegiada hoje. Eu tive chance para isso, talvez tenha sido esse recuo que fez com que a situação não acontecesse. Agora, hoje eu termino a minha vida pública como vereador de forma satisfatória, se isso vier a acontecer. E se me derem uma chance de ser candidato a deputado estadual, e chegando a assumir a função futuramente, eu ficaria muito mais feliz claro.

CS: O senhor tem mais de 30 anos de carreira política pelo mesmo agrupamento. Nós tivemos na última eleição dois vereadores que vieram de outra bancada, disputaram a campanha ao seu lado e tiveram mais votos que você. Como avaliar essa situação?

José Teles de Mendonça: Eu até agora não encontrei sabedoria suficiente para explicar isso. São projetos que não tem explicação, eu não sei explicar. O eleitorado sempre foi muito bom comigo. Mas o que posso arriscar falar é que esse foi um momento, digamos assim, de segurar nas mãos. As lideranças políticas seguraram nas mãos deles e quando as lideranças fazem isso, as pessoas veem com bom grado. É como um filho pequeno que o pai segura nas mãos, ele caminha no ritmo dos pais. A própria população se encarrega desse julgamento, mas só se esses que vierem de lá, forem condenados pelas lideranças. Se não forem, os eleitores também não condenam, é impressionante. Agora, se eles tivessem vindo para cá e nossas lideranças, Valmir e Maria, tivessem cruzados os braços, seria muito difícil que eles atingissem aquela meta. Se bem que eu não me convenço dessa situação, não é de se convencer. Por que o próprio povo cobra, você tem que permanecer no seu grupo político e ser fiel.

CS: Seu pai faleceu na primeira semana da campanha eleitoral. Como foi ter que enfrentar a corrida eleitoral logo depois de perder a presença de seu maior incentivador?

José Teles de Mendonça: Muito difícil. Para mim, foi o momento mais difícil de minha vida, nunca passei por coisa igual. Primeiro porque meu pai, além de ser pai, era amigo meu. Era incrível, meu pai tinha prazer de estar comigo, de conversar comigo, de compartilhar os momentos comigo. Então, quando eu vi meu pai, em um ano de eleição, dez meses e quatro dias, dentro de um hospital sem sair, percebi o quanto seria difícil. A campanha começou no dia 16 de agosto e dois dias depois ele faleceu. Eu quase me afasto da política. Não me afastei porque sentei e conversei com minha família e ela me abriu os olhos: “Todos vão partir atrás de suas atividades, vá e enfrente, mas sabendo da dificuldade que vai encontra”. E aí, eu considero a minha votação, diante do que eu passei estrondosa e com os gastos dentro do limite da lei eleitoral. Foi rara a solidariedade que eu encontrei o que disse no início, a maior dificuldade que tive na política foi com a própria classe. Falta amor, a gente está no grupo há mais tempo e percebe essa falta de solidariedade. Uma exceção posso até destacar, foi o prefeito Valmir, ele me incentivou e disse que eu não poderia ficar ou desistir, precisava ir para cima.

CS: Qual a avaliação que o senhor faz do atual cenário da política local, estadual e nacional?

José Teles de Mendonça: A situação é de muita expectativa, muita esperança. Nós vivemos aquilo que eu sempre tenho dito uma crise política, uma crise econômica e essa crise política é uma crise também moral. A gente acredita, apesar de tudo, ainda termos os bons nomes, os possíveis nomes que possam aparecer e um dia esse país entrar nos eixos. Apesar de no Brasil as coisas não serem levadas tão à sério, nós temos muitos homens sérios. Ser direito, ser honesto é uma obrigação nossa obrigação do cidadão, não é uma virtude, é obrigação mesmo. Esse é o momento mais difícil, ao longo da minha idade, que eu tenho visto em nosso país. Eu já vi as dificuldades por um período atrasado na política, hoje a facilidade é grande na política. Agora, os desmandos são a cada minuto, a cada segundo. A solução seria alguém querer colocar esse país no seu rumo certo.

CS: Como o senhor está se sentindo como presidente da Câmara Municipal de Vereadores?

José Teles de Mendonça: Um grande desafio, a gente é visto como o dono da salvação, o instrumento de salvação. É como se aqui fosse a solução para tudo e não é. É como se as pessoas pensassem assim: Zé Teles é presidente da Câmara, então eu sou amigo e vou ter um emprego e não é assim. Aqui é administrar como se fosse uma empresa, você tem que ter responsabilidade e compromisso. E uma das palavras mais fortes que a gente encontra, eu poderia dizer que, é incompreensão. Se você tem um amigo que seja jogador de futebol ou cantor, por exemplo, você se alegra com ele, mas se ele for político, tem que ser o salvador da pátria. O que eu tenho que fazer é procurar o melhor para nossa gente, desenvolver projetos para a sociedade. Nós vivemos em uma sociedade, não é porque uma pessoa é política que merece ser execrada. Todos nós dependemos uns dos outros. Cobre do seu político, ações dele, cobre que ele defenda a população e que seu município tenha dias melhores. Se tem um momento, nesses meus mais de 30 anos de mandato, que eu mais me preocupei que senti dificuldade é esse, de janeiro para cá. Mas assumo a responsabilidade e vou enfrentar esse desafio.

CS: O senhor pensa em antecipar sua reeleição como presidente da Câmara para o segundo biênio?

José Teles de Mendonça: Não. Nem penso em antecipar, nem penso na reeleição, eu penso em terminar meu mandato de dois anos e satisfazer a minha comunidade. Se eu perceber que não consegui satisfazer a minha comunidade, eu não tenho interesse de voltar para cá. A minha volta para a presidência depende de alguns fatores, satisfazer a comunidade e a meus pares, meus colegas e que a partir daí saia uma homologação para voltar a ser presidente da Câmara. Do contrário, não tenho pretensão de ser presidente novamente.

CS: Como tem sido a sua relação com a oposição na Câmara?

José Teles de Mendonça: Ótima. Até agora a oposição tem me tratado bem, tem me respeitado. Todos estão sendo muito solícitos no que tange ao respeito. Eu tenho dado esse ponto positivo, porque realmente é verdade. Cada um tem sua posição e faz sua legislatura, mas em consideração e respeito, eu tiro meu chapéu até agora.

CS: Qual será sua marca como presidente? O que deseja deixar registrado na sua gestão?

José Teles de Mendonça: Primeiro, o bom atendimento. Um dia eu quero ver todo o sistema da Casa digitalizado. Quero que os vereadores sejam tratados lá fora de forma respeitosa, desde que ele esteja dentro de suas atribuições e faças as coisas respeitando o seu papel como vereador. Quero erguer algumas coisas aqui nesse prédio para dar um conforto maior ao trabalho dos vereadores, verticalizar a parte administrativa e reservar a parte do térreo para o trabalho dos vereadores. Quero prezar pela participação da Câmara de Vereadores dentro da sociedade, fazer grandes conferências, trazer para cá grandes palestras. Precisamos criar meios de mostrar a cara do Poder Legislativo. Hoje eu recebi a ligação de um amigo que mora no Espírito Santo e me disse: “olhe, estava lhe vendo apresentado a sessão da Câmara, parabéns!”, precisamos ampliar isso.

CS: Valmir de Francisquinho deve disputar algum cargo nas eleições de 2018?

José Teles de Mendonça: Não. Eu acredito que Valmir deve continuar na prefeitura até o final de seu mandato, na minha opinião.

CS: O filho do prefeito Valmir, Talysson, deve ser candidato em 2018?

José Teles de Mendonça: É uma novidade. Acredito que a candidatura do filho dele seja boa para a política. É mais um nome, mais uma opção, filho da terra, tem que ser por aí, tem que dar oportunidades, a gente tem que ver pessoas surgindo assim. Se nós temos chance de fazer um deputado federal em Itabaiana, não tem porque ir atrás de outro fora.

CS: Quem deve ser o sucessor de Valmir de Francisquinho na Prefeitura?

José Teles de Mendonça: Deve ser quem o povo escolher, quem realmente cair na graça do povo. Preparar o nome eu concordo, agora, qual deve ser esse nome? Um nome que tem um passado limpo, que seja o gosto do povo, não por imposição, mas que seja trabalhado seja ele quem for.

CS: Em 2020, está confirmada pelo menos a busca ao décimo mandato como vereador?

José Teles de Mendonça: Eu prefiro não ficar antecipando. Nada fez com que até esse momento eu falasse alguma coisa nesse sentido. Estou com um mandato em curso e prefiro aguardar os acontecimentos. Vou detalhadamente observar o que eu posso oferecer a Itabaiana.

 Fonte:www.cartaserrana.com

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